Crise de Popularidade: Vaiado em várias cidades, Jerônimo evita aparecer em público durante festejos juninos

A imagem do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), vive seu pior momento desde o início do mandato. Com a popularidade em queda e sucessivas manifestações de repúdio por parte da população, o petista tem sido alvo de vaias em diversas cidades durante os festejos juninos no interior do estado. O desgaste ficou tão evidente que, na madrugada deste domingo (29), o governador foi orientado por aliados a evitar subir ao palco do São Pedro de Ipiaú, no sul da Bahia, para não enfrentar nova onda de vaias públicas.

Jerônimo participava do evento no camarote da prefeita Laryssa Dias (PP) e tinha intenção de saudar o público no palco principal. No entanto, interlocutores próximos o dissuadiram da ideia, alertando para o alto risco de novo constrangimento. O governador teria deixado a cidade irritado com a situação e com a repercussão negativa que os protestos vêm ganhando nas redes sociais e na imprensa.

Itabuna: o episódio mais constrangedor

O caso mais recente e viralizado ocorreu em Itabuna, durante o tradicional Itapedro, quando Jerônimo subiu ao palco e foi vaiado por boa parte do público presente. O momento foi registrado em vídeos que circularam rapidamente pela internet, acompanhados de músicas críticas ao PT. Em meio ao som dos paredões, uma canção virou meme:

“PT de novo, não! O PT deixou a Bahia na mão das facção. Jerônimo aqui não!”

O episódio expôs não só o desconforto do governador, mas também o sentimento de insatisfação crescente com sua gestão, especialmente diante da crise de segurança pública que atinge o estado.

Tentativas de negar os fatos

Em nota, o governo do estado tentou descredibilizar os vídeos, afirmando que as vaias não foram direcionadas ao governador, mas sim ao atraso da apresentação da dupla Henrique e Juliano. No entanto, testemunhas e vídeos do momento contradizem a justificativa oficial.

Histórico de rejeição recente

A sequência de vaias e manifestações de desaprovação não começou em Itabuna. No dia 21 de junho, em Livramento de Nossa Senhora, o governador foi citado por uma banda que se apresentava nos festejos, o que gerou reações negativas do público. No dia seguinte, em Mucugê, o petista foi vaiado ao caminhar pelas ruas da cidade. No dia 24, em Jequié, subiu ao palco e novamente foi alvo de protestos.

O clima de rejeição se consolidou a tal ponto que Jerônimo preferiu não subir ao palco em Cruz das Almas, cidade conhecida pelo tradicional São João do Recôncavo. Apesar de ter visitado lideranças políticas, optou por permanecer longe do público para evitar novas hostilidades.

Rejeição que vem do ano passado

O cenário de desgaste não é novo. Em 2023, Jerônimo também foi vaiado em Amargosa, em pleno São João, ao lado do então prefeito Júlio Pinheiro (PT). Na ocasião, as manifestações do público já indicavam a insatisfação que hoje se aprofunda.

Reflexo de uma gestão criticada

As manifestações populares contra o governador refletem uma crescente decepção com sua administração, marcada por escândalos, aumento da violência e ausência de respostas eficazes à crise da segurança pública — considerada por muitos como a mais grave da história recente da Bahia. A presença ostensiva de facções criminosas em diversas regiões do estado virou tema constante nas ruas, nos programas de rádio e, agora, até nas letras improvisadas dos festejos juninos.

Conclusão

A estratégia de esconder o governador para evitar novas vaias é sintoma de um governo que perdeu o pulso das ruas. A Bahia parece ter cansado de promessas e discursos — e agora faz seu protesto ao som de forró, vaia e paredão.

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